Um futuro incógnito

Resumo: Somos o país dos contrastes: ora temos tudo para dar certo, mas fracassamos, ora temos tudo para dar errado, mas nos superamos. Precisamos aprender a aproveitar nosso potencial e promover as reformas necessárias. O desafio é convencer os que se beneficiam do quadro caótico.

Tempo de leitura: 3 minutos

O laureado economista Simon Kuznets dizia que existem quatro tipos de países no mundo: os desenvolvidos, os subdesenvolvidos, o Japão e a Argentina.

O país dos Samurais tinha tudo para dar errado: uma ilha fria e pedregosa, com vulcões e terremotos, além de uma demografia densa e homogênea. Já o país de Maradona tinha tudo para dar certo: grande extensão territorial, fartura de água, minérios e solo fértil, bem como uma população pequena para sua extensão territorial, com bons níveis educacionais e culturais.

O sucesso japonês é, sem dúvidas, resultado de escolhas humanas. O apoio dos EUA na reconstrução do país após a Segunda Guerra Mundial foi fundamental, assim como a continuidade dada por meio do intervencionismo do governo nipônico, consolidando uma época de grande crescimento econômico – conhecida pelo Milagre Japonês.

O fracasso argentino é, sem dúvidas, resultado de escolhas humanas. O que era um país rico e próspero até meados do século XX, acabou sendo corroído pela classe política extrativista, principalmente durante os governos Perón e Kirchners e as constantes intervenções militares.

Pois à classificação feita acima eu acrescentaria uma quinta: os países que em algumas áreas têm tudo para dar certo, mas dão errado, e em outras áreas têm tudo para dar errado, mas dão certo. O Brasil se encaixa nessa categoria.

Assim como a Argentina, temos clima bom, terreno e recursos naturais em abundância, florestas, biodiversidade, muita água, fontes de energia barata, minérios de toda sorte etc. Além disso, temos uma população miscigenada, jovem, saudável e trabalhadora.

No entanto, salvo honrosas exceções, não sabemos aproveitar nossas riquezas de forma sustentável; muito menos as utilizamos para reduzir as desigualdades regionais e sociais que atrasam nosso desenvolvimento.

O excesso de água limpa na região Norte contrasta com a precariedade na oferta de saneamento básico, cobrindo apenas 18% daquela população. O Estado do Pará, riquíssimo em minérios, biodiversidade, florestas, água e potenciais energéticos, tem um dos piores IDHs do país.

Nossa incompetência em explorar modais alternativos ofertados gratuitamente – desperdiçamos o potencial de hidrovias e navegações de cabotagem – nos mantém refém do transporte rodoviário. Basta uma decisão equivocada e o país pode parar, como ocorreu na greve dos caminhoneiros em 2018.

A natureza nos deu tudo para dar certo, mas não sabemos aproveitar.

Por outro lado, criamos um ambiente institucional e regulatório que condenaria qualquer nação ao atraso absoluto, com excesso de burocracia, insegurança jurídica e corporativismo. Um inferno que jamais atrairia investimentos.

No relatório Doing Business 2020, produzido pelo Banco Mundial, e que mede a facilidade de se fazer negócios em 190 países, o Brasil aparece na 124ª posição geral e nas seguintes posições específicas: 138ª na abertura de empresas, 170ª na obtenção de alvarás de construção, 98ª no acesso à energia elétrica, 133ª no registro de propriedades, 104ª no acesso a crédito, 61ª na proteção dos investidores minoritários, 184ª no pagamento de tributos, 108ª no comércio exterior, 58ª no cumprimento de contratos e 77ª na resolução de insolvências.

Mesmo assim, contra tudo e todos, somos a 9ª maior economia global, líder em agronegócio, biomassa, educação profissionalizante, entre outros ramos.

Já somos um dos maiores mercados de startups e de ações. Temos empresas que competem de igual a igual com outras internacionais mais fortes ou mesmo subsidiadas.

Nossos empresários, advogados e contadores, calejados em crises, são fora de série: sobrevivendo há décadas em meio a tanto caos e mudanças constantes, dariam um show em qualquer outro país mais previsível.

O sistema bancário brasileiro, que é operacionalmente confiável, aprendeu a ser ágil muito por causa da necessidade de evitar o derretimento da moeda pela inflação pré-Plano Real.

Talvez seja por causa desse cenário ambivalente, caótico mas promissor, que os investidores depositam tantas expectativas no Brasil e ainda não tenham perdido a paciência conosco.

Qualquer melhora no ambiente institucional – as aguardadas reformas tributária, administrativa, política etc. – tem um imenso poder propulsor, removendo as barreiras burocráticas (e ideológicas) para que o verdadeiro potencial floresça.

A má notícia é que quaisquer dessas iniciativas depende, primordialmente, da vontade daqueles que mais se beneficiam com a manutenção do quadro institucional e regulatório que nos condena às últimas posições nos rankings globais de competitividade.

Permanecemos, portanto, uma incógnita quanto ao futuro.

Publicado por SOS Brasil

Inconformado com o que o país se tornou e cético de que tudo um dia será melhor se não fizermos um pouco cada um de nós.

2 comentários em “Um futuro incógnito

  1. Show !
    Artigo excelente.👍👏👏
    O Brasil 🇧🇷 é um país enraizando suas crenças é país rico e com riquezas minerais, enquanto realidade sistema econômico e financeiro da nação quase não consegue sobreviver com salário mínimos absurdo sistema tributário derrubar empresas em renascimento.
    Portanto mentalidade quê políticos deste país precisa ganhar bem para governa está nação; defasados em relação outros país do mundo. Todavia mar corrupção ainda existe neste país dificuldades enorme uma nação forte econômicamente quase impossível , líquida precos em combustível, alimentação, moradia, educação, hospital com uma infração aplicar 100% salários brasileiro.

    Curtido por 1 pessoa

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